DHPP de São Paulo possui unidade de excelência em investigações de crimes contra crianças e adolescentes

Os policiais civis da capital que trabalham em nome de vítimas menores de idade

Do portal da Polícia Civil de São Paulo

DHPP

Polícia Civil de São Paulo DHPP

Um grupo de policiais civis da cidade de São Paulo compõe a unidade responsável por um segmento de investigações criminais particularmente delicado: o homicídio de vítimas menores de idade. Trata-se do Grupo Especial de Investigações sobre Crimes Contra a Criança e o Adolescente, EECCAD, instalado no Palácio da Polícia, como parte do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa, DHPP.

Além do consumado, o foco do Grupo é o homicídio tentado, o crime de aborto, o de infanticídio e homicídios múltiplos quando dentre as vítimas há até duas menores de idade (crimes com maior número delas são encaminhados à equipe de chacina do departamento). Dentre as ocorrências, há ainda as que incluem algum tipo de abuso sexual.

Desde 2008, por determinação em Portaria, todos os distritos da capital têm de encaminhar à EECCAD as ocorrências de homicídio de menores de idade cuja autoria é desconhecida – casos em que normalmente os distritos já solicitam assessoramento para liberação da vítima do local do fato ao DHPP. O Grupo recebe ainda inquéritos policiais por solicitação de promotores e de juízes – sendo assim, é iniciada nova investigação por parte da unidade.

Hoje a unidade tem em andamento 170 casos, que estão divididos em seis áreas da cidade. Isso para que, mesmo conforme a demanda, todos os policiais tenham um número próximo de casos para trabalhar. Cada equipe tem um escrivão e uma dupla de investigadores, que se revesam todos os dias, em horários que podem ser flexíveis, “quando necessário, até que haja uma solução para o caso”, como conta Cíntia Tucunduva Gomes, delegada de polícia do Grupo desde dezembro de 2002 e chefe do setor desde agosto do ano passado.

E um diferencial da EECCAD são as particularidades das oitivas (audições de testemunhas ou autores de crime), pois seja qual for a idade da vítima de homicídio tentado, é possível obter dela a história do crime que sofreu, garante a titular. Mas para tanto é preciso muito tato. “Crianças de 4, 5 anos, envolvidas em casos de abuso sexual, por exemplo: é difícil você trazer a história à tona na cabecinha dela, porque muitas, conforme o grau do trauma que sofreram, não têm condições de se expressar. Mas nós utilizamos recursos adequados à faixa etária, nós começamos a entrevista com desenhos, jogos, com bonequinhos que nós entregamos para ela demonstrar o que aconteceu. E isso funciona”, explicou.

Há cerca de dois anos, o Grupo contava com uma psicóloga voluntária, que deixou para os policiais dicas e a experiência compartilhada de como melhor lidar com as vítimas. “Quando a criança é do sexo feminino e o autor da agressão, do masculino, não vai funcionar um policial homem interpelar essa criança. Você tem que usar uma policial feminina. E vice-versa, para deixar a criança mais à vontade”, explicou a delegada. As entrevistas com as vítimas sempre são acompanhadas por um responsável, parente ou pessoa próxima.

Os policiais da EECCAD têm perfil diversificado. Tanto quanto aos talentos e habilidades, quanto à faixa etária. E a capacidade de ouvir com suficiente tranquilidade uma confissão detalhada de crimes bárbaros é obrigatoriedade para o sucesso deles em serviço. “Nós precisamos de calma para o nosso trabalho não ir todo por água abaixo. Não há como forçar a pessoa a falar, nós temos que entrar em contato com esse autor sem sair do foco”, argumentou Cíntia. “Temos que ser pacientes, ter feeling, saber a linguagem dos adolescentes, entender a cabeça deles. A forma de tratá-los é diferente da de tratar os maiores de idade”, completou.

De certa forma, o êxito na unidade acaba também passando por um treinamento de auto-reeducação. “Nós temos que ter botão liga/desliga. Quem trabalha com vítima criança e adolescente, alguma neura vai ter, porque quase todos que estão aqui têm filhos, e o jeito que nós temos para melhorar isso é esse botão. No meu caso específico, é não falar assunto de trabalho em casa, não assistir a programas televisivos que não sejam light, porque nós já vivenciamos tragédia diariamente, estamos lidando com a notícia que os outros vão ver”, defende Cíntia Gomes.

Além disso, há necessidade de se observar as mudanças que ocorrem no perfil das vítimas e dos criminosos. Nos últimos cinco anos, destaca a delegada, esses perfis foram alterados. Se antes os crimes contra crianças e adolescentes tinham, em quase sua totalidade, relação com o tráfico de drogas, hoje a violência os atinge nos lares em decorrência de desordem familiar, problemas sociais (profissional/financeiro) e psíquicos: “O que acontece também é que se veiculada determinada notícia na mídia sobre um tipo de crime, a partir daquele momento, algumas pessoas resolvem copiar, e há uma sucessão de crimes parecidos. O autor já tinha intenção, e resolve fazer”, disse.

Os policiais do Grupo invariavelmente têm de realizar um “trabalho-formiga”: um paciente cruzamento de dados. “Alguns casos são esclarecidos, noutros não se encontra ninguém. Nós tivemos um que veio para cá, e nossa equipe se deslocou para as primeiras diligências e foi constatado que os pais da vítima eram moradores de uma favela que havia sido retirada do local pela Prefeitura. Eles perderam documentos, e fizeram B.O (boletim de ocorrência) com um telefone de recado. E através disso chegamos a eles”, contou a titular.

Esse cruzamento e as pesquisas civis e criminais são feitos com Prodesp e Infocrim. E o Grupo conta com o apoio do Serviço de Inteligência e Análise (SIA), do DHPP, para as consultas telefônicas. A meta dos policiais da EECCAD, em médio prazo, é obterem acesso ao Infoseg e ao “Alfa”, que disponibiliza os dados de carteiras de identidade com as respectivas fotos – sistema que elimina a necessidade de envio ao IIRGD de memorando de solicitação de fotografias, otimizando o o reconhecimento de criminosos.

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6 Comentários to “DHPP de São Paulo possui unidade de excelência em investigações de crimes contra crianças e adolescentes”

  1. Ah!como queria meu filho de volta,mas parece que um dos sequestradores foi preso na fronteira com drogas,estou achando que fez isso porque assassinou meu filho,e ocultaram o corpo.A investigação é lenta,mesmo sabendo de tudo que aconteceu,minha família acho que vai acabar,não consigo sair,nem buscar mais notícias,Dr.Olin ,pega pesado com essa gente do mal,gosto de ver seu trabalho,e de toda policia em São Paulo.

  2. So um admirador do trabalho do dr. Olin e de toda policia civil, tenho certesa que em breve farei parte desta gloriosa instituição. Daniel Marques

  3. Eu tambem quero parabenizar o Delegado Doutor Antonio Olim pelo exelente trabalho que ele tem realizado em relacão ao assasinato da advogada. Ele é um exelente profissional e pelo q eu vi algumas entrevistas dele tambem como pessoa. Com todo respeito, gostaria de conheçe-lo pessoalmente e pedir um autógrafo a ele. bjs gi.

  4. Eu entendo que o assassino da Dr. Mércia não queria que nem o veiculo e nem o corpo da mesma fosse encontrada e também nem a arma usada para atirar na Dr. Mércia , portanto sendo o local escolhido de grande profundidade na represa, eu creio que a arma deva estar perto do local onde foi achado o veiculo e a única forma de procurar seria com uma peça imantada presa a ponta de uma vara, para que a arma se prenda nesse objeto imantado. Mesmo porque o grande azar dele foi o pescador .
    Meus parabéns ao Dr Antonio Olim.

  5. Parabenizo ao Dr. OLIN, pelo ótimo desempenho, sobre o caso covarde do assassinato da Dr. Mércia.Cada dia passado nesse planeta, acho que estamos chegando ao fim . Pessoas como Mizael, Bruno, macarrões da vida, pena de morte.Como gostaria que o Rio tivesse uma Delegado com tanto vontade de exerce seu papel na sociedade como esse Dr. OLIN. Amo vcs.

  6. MARÍLIA/SP
    OS PARABENIZO EFUSIVAMENTE.
    MESMO ASSIM TODOS SEUS INTEGRANTES, ALIÁS COMO NÓS, CONTINUAM RECEBENDO UMA “MERRECA” DE VENCIMENTOS PAGO PELA MALVADEZA DO GOVERNO DE SP, UMA VERGONHA PARA NÓS PAULISTAS.

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