ADPF apresenta resultados da pesquisa Retratos das Delegadas de Polícia Federal

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Cerca de 114 delegadas de todo o Brasil participaram do estudo

Do portal da ADPF

Ser delegada significa ingressar e fazer carreira em uma instituição predominantemente masculina. Liderar, presidir inquéritos e saber usar armas são exigências profissionais que interagem conflituosamente com traços tradicionalmente considerados femininos. Porém, a coragem, a capacidade de mando e de saber lidar com situações de risco não são incompatíveis com a feminilidade.

A pesquisa “Retrato das Delegadas de Polícia Federal” buscou identificar os desafios enfrentados pelas mulheres na profissão. Seus resultados foram apresentados pela Delegada Federal Tatiane da Costa Almeida e a Professora da Universidade de São Paulo (USP) Maria Tereza Aina Sadek durante o IV Encontro Nacional de Delegadas Federais.

O estudo foi uma adaptação de “Quem São e o que pensam os Delegados”, realizado pela professora Sadek junto a delegados da Polícia Civil de 10 estados entre 2001 e 2002. No Retrato das Delegadas de Polícia Federal participaram 114 delegadas federais associadas à ADPF.

Uma das constatações foi sobre a posição das colegas do sexo feminino na corporação. Considerando o estágio atual na carreira, comparativamente aos colegas que ingressaram no mesmo concurso, 47% das entrevistadas em 2015 acreditam que as colegas estejam em posição igual, enquanto em 2001 esse número foi de 69%.

Em relação à carreira anterior à Polícia Federal, 34% das entrevistadas antes de ingressar na PF eram servidoras ou do Poder Judiciário ou do Ministério Público. Em seguida aparece a advocacia, com 25%. Em relação à pesquisa de 2001, decresceu significativamente o percentual das que não trabalhavam anteriormente. Eram 16% e caiu para 3,5%, o que pode ser reflexo da exigência de comprovação prática jurídica para concorrer ao cargo.

Uma das maiores reclamações foi sobre os índices exigidos no Teste de Aptidão Física (TAF) para mulheres no concurso da PF. 75% das delegadas acham os testes desproporcionais em relação aos exigidos dos homens e 77% concordam que os índices exigidos atualmente no TAF dificultam o ingresso de mulheres na PF e que os índices exigidos para as mulheres devem ser revistos, a fim de tornar o processo mais inclusivo para elas.

No que diz respeito ao bom funcionamento da Polícia Federal, de forma quase unânime, 94% das delegadas apontaram a necessidade de aumentar o apoio e investimento na Polícia Judiciária. Para 87% das entrevistadas o principal obstáculo é a falta de autonomia administrativa e orçamentária. Em segundo lugar aparece a falta de empenho governamental na implementação de políticas de segurança, com 73%.

Considerando as relações de trabalho na Polícia Federal, 55,6% das delegadas acreditam ser muito importante a definição de critérios objetivos para a ocupação dos cargos de chefia. Sobre a forma como as pessoas são tratadas em função de seu sexo, foi expressivo o percentual das entrevistadas que afirmaram existir diferenças no tratamento entre homens e mulheres. As alternativas “às vezes” e “sempre” reuniram 66% das respondentes.

De acordo com as situações que podem ser vivenciadas pelas pessoas em suas relações de trabalho, para 46% das entrevistadas, raramente as mulheres são privilegiadas. Um percentual significativo, de 35%, contudo, crê que às vezes isso ocorre. Para 32% das respondentes frequentemente há mais privilégios/proteção para os homens. Somando-se as respostas frequentemente e sempre obtêm quase a metade (48%). As informações são do portal da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF).

[Foto: ADPF/Norberto Lima]

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